A CONVIVÊNCIA
Vou falar aqui um pouco dos últimos treze anos de vida de minha mãe. Tenho um motivo para isso, é que foram treze anos de convivência minha com ela. Dos quais eu tenho saudade.
Mesmo antes eu e ela conversávamos muito. Às vezes repetíamos assuntos. É que ela estava envelhecida, mas não completamente desmemorizada. Ela se lembrava muito bem de meu pai. E me contava casos, de antes de eu nascer, que às vezes eram casos que eu desconhecia. Não é que isso me fosse vital. Mas para mim era muito bom ouví-la contar.
Às vezes, lá estava ela sentada em frente à televisão. Eu chegava e me sentava ao lado dela. Esperava ela falar alguma coisa, e perguntava eu outra. Desse modo íamos convivendo. Claro, eu não sou novinho. Hoje aqui estou com meus setenta anos. E há quatro anos que ela se foi. Se foi para o céu, eu acredito. Há quatro anos passava na TV uma série de notícias do Rio de Janeiro e ela me contava a viagem turística que ela e meu pai fizeram ao Rio. Eu que fui uma vez ao Rio, para fazer exame de vista no Ministério da Aeronáutica. Exame que fiz e me garantiu o ingresso numa escola da FAB. Isso minha mãe sabia, e sou eu quem lembra aqui agora.
Há vinte anos atrás ela me perguntou:
- Quer ir para o interior comigo?
Eu, sem titubear, respondi:
-Quero.
E vim acompanhando-a. Ela estava ainda em boas condições de saúde. Moramos a principio numa casa pequena até esta onde estou ficar de pé.
Nos mudamos para esta casa. Este fato aconteceu há dezessete anos atrás. Dos quais treze anos foi de uma doce convivência minha com minha mãe. Há quatro anos ela faleceu.
Deixou saudades, imensas
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