CUIDADO COM O QUE DIZ
Hoje é domingo, grande parte das gentes está pulando o carnaval. Eu estou recolhido confortavelmente na minha casa, pensando sobre o que é que posso escrever agora. Assuntos não faltam e em minha mente há um pouco do vazio que me acomete quando não leio. Já disse e é verdade, lendo eu leio uma palavra e é o bastante para me inspirar. Começo pensando numa frase qualquer e dou continuidade. Pensando como quem começa uma conversa. E o escrever para mim é conversar comigo mesmo. Estava no jardim da minha casa e pus a pensar em poesia. E me veio à imaginação a palavra CORPO. O poeta Carlos Drummond de Andrade já escreveu um livro com este título. E corpo pode ser o corpo deste texto que pretendo aqui desenvolver.
Corpo, todos nós temos um. As coisas se compõem de um corpo. E quando se fala em corpo, o outro interlocutor pergunta:
- Que corpo?
Se for uma bela mulher, nesses tempos nossos, podemos responder:
- O seu. Que é belo.
Claro, teremos de ter uma certa liberdade com a dama. Caso contrário será criada uma situação que ao fim alguém poderá rir de nós:
- Quebrou a cara, hein meu caro!
Então o melhor a fazer será nos recolher. Porque não teremos desculpa do nosso descaramento. E a bela dama poderá se sentir dona de nós.
Corpo, por outro lado, poderá ser o de outra coisa. Se estivermos conversando com um escritor, diremos:
- Li seus livros, o corpo de sua obra é bem composto.
Se o escritor for bem vaidoso e bem educado, ouviremos:
- Ora, muito obrigado.
E ele poderá sair dizendo:
- Sou admirado.
No caso do escritor, sairemos ilustrados.
No caso da dama, sairemos envergonhados.
E é bom tomar cuidado.
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