FORMAÇÃO E SOLIDÃO NA DOENÇA
Deus nos concede a vida através de nossos pais. Engatinhamos, na ânsia de começar a andar. Gaguejamos, e logo, logo lá estamos a falar. Vamos à escola onde aprendemos a escrever. Dependendo de nossos pais aprendemos algum instrumento musical, onde tocamos uma melodia. E assim eu concebo algumas das coisas que mais me apeteceram até hoje. Dava eu longas caminhadas por percursos que eu ia descobrindo. Conversei bastante, até aprender a falar pouco. Claro, nem tudo se pode dizer, nem a todos podemos nos dirigir, tudo conforme a conveniência, de modo a evitar confusões. Eu comecei a aprender a tocar piano, mas fui tolhido neste aprendizado porque o horário das aulas de piano coincidia com o horário de eu ir ao clube praticar um pouco de natação.
E então já posso dizer, que se me foi dada a vida, com a benção de Deus, eu comecei a viver e vivo até hoje e chego daqui a um mês aos meus setenta anos. Fui muito censurado na minha vida porque as meninas da minha época me gostavam. E eu namorei algumas delas. Me casei e me divorciei.
Nem todo mundo vê a vida como eu. Um conjunto de viveres sucessivos, nunca um ao mesmo tempo que o outro. Mas um depois do outro. E assim eu me definindo, não totalmente por querer, e tenho hoje a minha personalidade formada. Já ouve na minha vida o acontecer de uma amizade que me elogiou:
- Olhem a formação dele.
Não agradeci. De boa formação eu sou, deveras. Mas pode alguém ser culpado de vir a adoecer? Falo isso porque quando logo em seguida eu baixei hospital, e me recuperei, e a pessoa que me elogiou nunca mais eu vi.
E foi uma pessoa que me viu me casar com moça do conhecimento dela. É, as coisas acontecem, e os acontecimentos quando nos envolvem, ficam nas cercanias de nossa compreensão. E eu rezei bastante, porque fui batizado e crismado quando criança, e vim a me recuperar. A formação de qualquer pessoa é no mais das vezes coisas que só mesmo a pessoa sabe qual é. Concluo hoje.
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