NOTÍCIA

Ele era uma pessoa ótima. Ficava tranquilo em sua casa, me dizia que lia o tempo quase todo. Eu chegava e ele me convidava para ir para o seu escritório. Era ali que ele escrevia seus poemas e seus contos. Poemas e contos com os quais muitas vezes eu me deliciava ao ler. Claro, ele não me mostrava tudo o que escrevia. Porque na maioria das vezes ganhava concursos com eles. Então ele esperava que fossem publicados com a indicação de que tinham sido premiados. E me mostrava. Não sei se ele tinha muitos amigos. No falar ele era muito reservado.

Quando me chegou a notícia de sua morte, eu lamentei muito. Fiquei sem saber se ia até a casa dele. Nunca me disse ele, nem outra pessoa qualquer, que ele estava doente.

Hoje, aqui, escrevendo isto, me vem à mente que ele talvez não quisesse partilhar com ninguém as vespesras da própria morte. Então, me pego fazendo uma oração católica por ele. E que Deus o tenha. 

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