O QUE ESCREVE
Do meu nascimento até aqui foram setenta anos. Exato, tenho setenta anos de idade bem vividos. Trabalhei, estudei, amei, desamei e agora escrevo. Sou chamado de poeta, contista e cronista. E gosto de ser admitido em ACADEMIAS DE LETRAS que me convidam e eu examino o convite. Sou também um leitor voraz, para que se tenha um ideia, eu leio pouco mais de dois livros por mês.
Quando escrevo eu penso no que estou escrevendo. Depois eu releio e vejo quais são as principais influências sobre os meus textos. Na hora em que vou escrever, eu vejo o papel em branco e é aí que meu pensamento viaja em torno de ideias. Vou tendo as ideias, elaboro mentalmente o que será, e aí surge o texto, que demora um pouco até ficar pronto.
Chamo isto aqui que estou escrevendo de uma satisfação que dou ao público, sem pensar em ser original. E digo que para a elaboração desta satisfação me deixo influenciar por lembranças de entrevistas de escritores que li. Eles, os escritores, diziam em suma, que liam muito. E eu venho até aqui com todo o prazer do mundo.
E não me sinto nem um pouco genial, como alguém dizia daqueles escritores que davam suas entrevistas. Eles podiam ser geniais, porque eram os primeiros a dizer que liam muito, por isso escreviam bem. E falavam bem nas entrevistas. Eu os admirava. Só isso.
E era quando eu queria ser escritor também. Não sei se o sou hoje. Mas, para mim, toda pessoa que escreve é escritora. Porque escritor é aquele que escreve.
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