O SOFRER PASSA, O FELIZ FICA
Certa dia eu estava à janela de minha casa. Um vento frio roçou meu rosto. Foi um sofrer muito rápido e ligeiro, claro, o frio roçando meu rosto. Pequeno demais. Mas quando passou pela minha mente a palavra sofrer, algo mais me aconteceu. Lembrei-me de que já sofri na vida. Alguns amigos meus me dizem: "Que nada. Você é vivido." Para mim, vivido e sofrido se assemelham. Basta que nos lembremos de quando nossa mãe nos dá à luz. Não choramos? Claro, os incômodos todos da atmosfera de que o útero materno nos protegia abatem sobre nosso corpo ali de bebê. À medida que vamos vivendo, novos ares vivemos. E cada ser humano chama estes novos ares como bem lhe apetece.
Eu digo que estes novos ares exigem de nós, sorrisos e lágrimas. Tudo depende do que vamos passando já que estamos na superfície deste nosso planeta. Procuramos trabalho que nos recompensará com a moeda com a qual adquiriremos algum conforto na luta pela sobrevivência. E, certezas de algo, alguma, pequena, teremos. Mas, certezas para algumas de nossas dúvidas só o tempo dirá se poderemos ter. E enquanto esse processo se prolonga no tempo de nossa existência vamos convivendo com o sofrer e aprendendo o que nos traz felicidade.
Comigo, à medida que aprendi, passou a acontecer algo assim. Vivenciando principalmente a minha memória, ao fim me lembrava dos momentos felizes. Não ficava remoendo as tristezas. Porque senão o sofrer iria se prolongar na minha mente. E, dessa forma, passei a ter mais momentos felizes prolongados do que momentos de sofrimento. Óbvio, não posso ignorar que estou exposto ao vento e à chuva, e que vez em quando lá vem a sombra do sofrimento. Acostumado a me lembrar da felicidade, abano a mão, sorrio, e não digo que não sofro novamente. Mas, só de me lembrar do feliz, posso até escrever que o sofrer é muito passageiro.
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