Ia o homem pelo seu caminho, andando devagar. Nada fazia com que ele apressasse o passo. Nem mesmo o mensageiro que dele se acercou. E lhe disse que alguém dele morria. Ele olhou para o mensageiro e com um gesto, despachou-o. E continuou seu caminho, no mesmo passo lento. E ele deu a conhecer o seu pensamento: o que adianta eu ir ao encontro de quem está morrendo; eu vou chegar lá e achar um defunto. Eu que ouvi o que ele pensava, pensei comigo: é, ele tem razão. 

E o homem não chegava a lugar nenhum. E nem queria chegar. Eu conclui que o que ele gostava de fazer era caminhar. Mas o homem sentou numa pedra. Talvez para descansar. Fiquei olhando. Com medo de que ele me percebesse. Claro que eu estava ali, por perto.

E de repente:

- Ei, pode sair de onde você está.

E era comigo mesmo que ele falava. Eu sai de onde estava e me aproximei dele. Eu não disse uma palavra sequer. E nem ele. Então ele sem exitar me perguntou:

- Por que me segue?

- Não é que eu o siga. É que seguimos pela mesma trilha.

Conciliados então, nos pusemos a andar de novo. Só que eu cansei. Já familiarizado com ele lhe perguntei:

- Você não chega nunca.

- Não quero chegar - ele respondeu.

- Pois eu cheguei, vê aquela choupana ali? É onde minha amada mora.

Uma lástima saiu dos lábios dele. Eu perguntei o que era. Ele disse:

- Eu sou eternamente só. 

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