A IDADE

Uma vez, quando revelei a minha idade para minha editora, ela me disse:

- Vinho velho costuma ser o melhor.

Eu me senti como quem recebia um cumprimento. E o foi. Ao invés de ouvir o parabéns, eu ouvia aquela comparação. E foi bom ouvir aquilo.

 Agora, aqui estou, e me desculpem os leitores, eu repito que estou  perto dos setenta e um anos de idade. E me sinto tão bem disposto que se alguém me perguntasse, eu diria como meu pai o disse uma vez:

- Ao setenta e um eu estou tão jovem que nem sei me explicar.

Agora, me explicando: Meu pai quando disse que era novo, tinha trinta e oito anos de idade.

Hoje eu estou aqui me lembrando de meu pai. Ele era mais novo que minha mãe, um ano. E antes de morrer deixou um escrito de que me apropriei. Era um escrito precursor. Mais ou menos da linha do realismo mágico. Como é que  pode? Ele lia muito e estudava muito.

As saudades mais fortes que sinto são as de minha mãe. Minha mãe faleceu a mais ou menos cinco anos atrás. E saudade é o amor que fica.

Dela herdei a religiosidade. Sou católico e me sinto muito bem rezando. Conversava hoje e eu disse:

- Gosto da missa porque chega na hora do Ato Penitencial eu estou lá. E assisto a missa toda.

À noite sempre me digo:

- Deus há de perdoar meus pecados.

Porque aqui na face da Terra eu sou um grande pecador. E tenho dito. Que Deus me perdoe. Que Deus nos perdoe.

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