MINHA AVÓ MATERNA
Meus pais ainda não tinham chegado pela manhã. Eu fiquei quieto no meu quarto. Quando eles chegaram eu pude ouvir eles conversarem. O caso é que eles passaram a noite na casa de minha avó materna. Ela sofria horrivelmente com um câncer. E acabara falecendo. Eu chorei. E há pouco tempo, antes de minha mãe falecer, minha mãe me contou que meu pai chorara feito criança no momento da morte dela. Eu me lembrei do meu próprio choro. E acabei indo à missa na Catedral-Basílica de Nossa Senhora do Pilar, que ficava bem em frente à nossa casa.
Depois da missa minha mãe conversou um pouco comigo. E nessa conversa ela me pediu que eu me comportasse bem. Pois que eles, meu pai e ela, iam ao enterro do corpo de minha avó. E lá se foram eles.
Hoje aqui eu me lembrando, me lembro também de que minha avó prometera a minha mãe um terno bordado a ouro para mim. Todos me conheciam na família era por esse nome mesmo. Pois minha avó me chamava:
- Meu menino de ouro.
Com tudo isso é que eu que estou me lembrando inclusive da data da morte dela. Foi a 09 de março. Data em que fiz nove anos de idade. Nasci a 09 de março de 1954. É só somar 9 a 1954, e terão o ano da morte.
Alguns anos antes, minha avó me dissera:
- Sua avó vai morrer sem te ver crescer.
Eu respondi:
- Nada vó. Eu ainda vou ser piloto de avião e abanar a mão para a senhora lá do alto.
E deveras, já esquecido de tudo isso, entrei para a FAB, anos depois. E tenho dito. E que Deus me abençoe. E que Deus nos abençoe.
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