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UM POUCO DE MIM

 Um homem daqui de Moeda me disse uma vez: - Vocês que lêem muito acabam vivendo mais. Isto faz muito tempo. E ele que vivia correndo em cima de uma moto, veículo de duas rodas, se acidentou e acabou morrendo. Lembrei-me dele hoje. Mas para dizer a ele que eu estou vivo. E com boa memória. E esta memória que me acompanha não me deixa ser infeliz, e nem atormentado. Vivi anos a fio na capital mineira. Lá tudo é velocidade. E aqui eu vivo calmamente. Continuo lendo e escrevendo. Falta de escola literária não me mata também não. Até me deixa contente, porque eu posso fazer da escrita um hobby. Eu tenho um imenso prazer em escrever. Meu pai fez muita coisa em vida. Construiu uma casa, comprou um automóvel, e antes de morrer escreveu poesias. O que é mais importante é que nos educou. E pregava sempre a nós, os filhos, estudem porque vai chegar a hora de vocês trabalharem e estudando vocês poderão achar profissões boas. Ele morreu. Mas o que ele falava se cumpriu. E eu só me ressinto um ...

PENSÃO para pagar

 Hoje de manhã eu estava completamente sem assunto. Fui fazer outras coisas. Acabei escrevendo um texto para a ACADEMIA DE CONTOS a que ousei chamar de conto. E vim trazendo comigo a manhã até que almocei  e li um pouco. Quaisquer letras me estimulam. Não digo me inspiram, mas me peguei pensando em qualquer coisa. É que revi um pouco de mim. E me vi na época em que comprei este computador pessoal, e depois me vi quando comprei meu celular. O computador eu me virei para aprender dele alguma coisa. E mesmo assim não aprendi tudo ainda. O celular quem me ensina alguma coisa até hoje é minha empregada. Eu vejo o  quanto ela é inteligente.  E na era em que se fala tanto em inteligência artificial, os seres humanos se esquecem dos seus próximos.Viva D.Zózima, a empregada doméstica que está aqui em casa há 13 anos. Eu me pergunto e pergunto aos leitores possíveis desta postagem: o que seria de nós, os que precisamos de uma secretária como D.Zózima? Pois é, venho aqui quase ...

PESSOAL, INTRANSFERÍVEL

Houve um escritor mineiro, para quem o ato de escrever era angustiante. Resolvi iniciar hoje minha escrita por este assunto só para dizer que para mim escrever é prazeroso. Quero dizer: eu tenho prazer em escrever. Não tenho como saber se alguém tem o mesmo agrado pelos textos que aqui entrego. Hoje estive pensando em uns primos meus, por parte de pai. Era uma turma muito animada. Acho até que eles viveram mais que eu, viveram mais no sentido de participarem mais da vida. Espero que me compreendam. Viver para mim vai além do ato de respirar. Aqueles primos iam a festas. Viajavam e procuravam mais os parentes. Lá em casa estiveram mais de uma vez. Eu tive, dentre eles, uma prima que quis ser minha namorada. Eu acho desde aquela época que ela era a mais bonita moça que se interessou por mim. Depois eu me casei, descasei, porque sorte no amor eu nunca tive. Quando eu li AMOR? de Ivan Ângelo, não me espantei. A estória contada no livro é uma síntese da sociedade mineira daquele tempo. Digo...

UM POUCO SOBRE MINHA MÃE

 Estar aqui escrevendo é um prazer. Não sou nenhum comunicólogo da PUC. O que eu fiz na faculdade foi estudar Filosofia, sem me formar. Me desculpem se sou repetitivo. Mas a ginástica verbal faz bem a todo escritor. O que eu gosto mesmo de fazer é escrever sobre Literatura. Na minha vida, tenho cumpridas todas as minhas obrigações, as com a pátria, e as com a minha sobrevivência. Hoje eu tenho uma pensão que me cobre as despesas necessárias. Não preciso ir à rua, para nada, e não jogo, não bebo, não me drogo, estas coisas que dizem que fazem por aí. E tenho a melhor empregada doméstica da minha cidade. Mas vamos à Literatura. A Literatura pode ser granfina. É aquela que procura se sofisticar para parecer a mais inspirada. Mas o que é se sofisticar? Talvez falar inglês. Talvez fazer para aparecer na televisão. Digo isso porque o primeiro prêmio que ganhei fez a minha mãe acreditar em mim. Depois do prêmio ela me disse: - Não escreva nada por enquanto. E, de fato, eu não escrevi. Dev...

BREVE

Como  prometi, aqui estou para contar como viviamos na Rua Ituiutaba. Levavamos uma vida comum com nossas vidas comuns. Como já cansei de dizer, éramos sete. E todo nós, exceto um irmão doente, trabalhávamos. Eu comprei um som a prestação e formei uma pequena discoteca. Eu já possuia uma pequena biblioteca particular minha. Minhas irmãs decidiram por comprar carros. E ela se casaram. Eu de vez em quando, mais de vez em quando do que nunca, visitava as irmãs casadas. Era como nós vivíamos. E éramos, nunca deixamos de ser, gente da classe média. Eu era o mais apegado aos estudos. Tinha em mente que ia estudar Filosofia. Comprava eu muitos livros de Filosofia e de Literatura. De modo que me formação era essa. E a cada dia  eu lia mais. Quando eu consegui meu segundo emprego, entrei de novo para o corpo de alunos da Filosofia, no curso que era oferecido na FAFICH/UFMG, lá ingressei via vestibular. E quase me formei, Em casa me gozaram, porque eu nunca terminava o que começava. Min...

UM POUCO DE ANTES DAQUI

 Éramos uma família de sete irmãos mais minha mãe. Morávamos em Belo Horizonte. Foi lá que minha mãe adquiriu uma casa velha, precisando de reformas. Ela já trabalhava e juntava dinheiro. Nós os filhos também trabalhávamos, mas como ganhávamos menos do que minha mãe contribuímos pouco para as reformas que minha mãe fez na casa. E de fato minha mãe empreendeu as reformas. Ao fim minha tia, irmã dela, que torcía sempre para que nossas coisas dessem certo, se alegrou. E disse: - Rutinha fez uma mansão. Rimos até hoje disso. Porque depois das reformas nossa casa ficou bonita, mas longe de ser uma mansão. Foi só força de expressão de minha tia.  E após as reformas, que não foram fáceis, nossa rua virou uma rua comercial. O comércio na Rua Ituiutaba ficou muito ativo. E as famílias que eram nossas vizinhas, se mudaram. Minhas irmãs observando aquilo, disseram a minha mãe: - Mãe, muda daqui com os meninos. Meninos éramos eu e um irmão. E minhas irmãs nos chamavam de meninos por ser u...

ESTOU AQUI PENSANDO

Como Rousseau eu ando aqui pensando, caminhante errante que sou. Mas pensando em que? Em como vou encaminhar meus escritos. Claro, eu espero chegar a algum lugar com eles. Mas a algum lugar consequente. Não basta escrever, escrever ao léu, e só destiná-los, aos escritos, ao vento do vão sucesso. Eu sei que é difícil encaminhar alguma coisa a algum lugar seguro e que dê certo. Ainda mais uns escritos. O mundo da literatura faz as coisas dependerem de muitas outras coisas. Não me pergunte quais são estas coisas, porque nem eu sei quais são. Mas, como eu dizia a uma jovem, todo inicio é difícil. Ninguém começa do alto. E chegar ao alto é alcançar o topo, o sucesso. E quando vem o sucesso, nós devemos estar preparados. Mas não vou ficar aqui falando em sucesso. Só uma última palavra, depende de que sucesso se quer. Eu vim de uma família, que dizem é descendente de espanhóis, a parte do pai. E a minha mãe, descendia de portugueses. Os que vinham dos espanhóis tinham o sangue um pouco quente...