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LIVROS NA ESTANTE

Uma estante cheia de livros e eu passo meus dias pegando um e outro. E à medida que os escolho, os leio ou os releio. E vou  dizer uma estante cheia de livros é para o nosso deleite um precioso achado. Mais que achado, porque passamos tempos a amontoá-los nas prateleiras para isso mesmo, ler e reler. Vale mais a pena ter tantos livros do que mulheres. Toquei num ponto delicado, o amor. Mas se feri, feri o amor à carne. Porque não feri meu amor aos livros, meu amor às letras permanece intacto. Os contos que leio, vindos lá das estranjas, a me emocionar, me emocionam mais que todas as juras de amor. Eu, presto depoimento, já fiz um filho. Está lá criado. E portanto posso me deleitar com os escritos impressos. Uma pequena confissão, eu também escrevo, como podem ver aqui. E vou mais além, escrevo e mando para as editoras, que me publicam. Aqui eu penso no meu trabalho de escritor. Tenho que caprichar, porque o resultado vai ao público. Não sei qual é o meu  público, mas deve ser ...

BIBLIO

Levei anos dando duro até chegar aqui. Hoje vivo razoavelmente descansado com tempo para escrever. Estou neste início de postagem pensando em que vou escrever para começar o dia. E, achei o assunto, há muitos anos eu cheguei numa biblioteca para trabalhar. Não fiz corpo mole desde o início, porque vinha de estar acostumado ao trabalho. E nunca ganhei muito. Ao contrário do que os meus colegas da empresa imaginavam. E em casa eu tinha lá os meus livros. Comprava sempre que recebia meu salário uma quantidade numerada de livros. Meu prazer de ler, nas horas em que eu podia gastá-las lendo, era imenso. Esse prazer de ler me ajudou muito a trabalhar naquela biblioteca. No princípio não tive dificuldade. Memorizei uma frase que me foi dita. Que ali, de tempos em tempos, o quadro de pessoal se renovava. É que saíam uns estagiários de biblioteconomia para em seu lugar vir nova turma de estagiários. E eles, os estagiários, vinham já preparados para trabalhar. Fiquei lá algum tempo. E para mim f...

NADA A RECLAMAR

Já escrevi muito desde que aqui estou. E publiquei bastante. E vou lendo. E escrevendo. E nada a reclamar desta minha vida. Em que o que eu faço é ler, reler e escrever. A empregada foi quem disse o que exatamente é a minha vida. Ela disse: - Sua vida é excelente. E, realmente, minha vida é excelente, sem tirar nem por. O domingo de hoje vai chegando ao fim. E venho aqui festejar este fim de expediente. Em que todos tiram o tempo para se divertir. E eu passo o dia a escrever. Estava conversando com alguém e eu disse: - Desde adolescente eu detesto o carnaval. Se forem examinar a minha coerência entre o dizer e fazer de hoje e o de sempre, eu detesto o carnaval. Mas, abro um parêntese, para me remeter ao meu passado. Era no trabalho, havia lá uma colega que só conversava um assunto. Ela falava e ao final dizia: - Eu sou coerente. Deixei ela com o que ela julgava ser a coerência falar de um único assunto, e aqui estou e continuo o mesmo. Falo às vezes de assuntos variados. O que eu disse...

DÚVIDAS

Os seres humanos de minha formação não são os que eu esperava deixar lá onde os encontrei. Não quero dizer com isto que os vi serem abatidos por sentimentos negativos. Não vi. Estavam até muito animados. Entravam, os que conheci, no serviço para trabalhar. O que eu quero mencionar porém vai um pouco além disso. É que entravam no serviço para trabalhar, mas de maneira altamente competitiva. O que os fazia algo agressivos uns aos outros. Não sei se a palavra agressivos é a que cabe, mas vá lá. Eu no que penso aqui com os meus botões, não fui nem criado nem acostumado a competir com meus irmãos. E fiquei muito triste quando uma pessoa por quem eu tecia consideração, disse que hoje a nossa sociedade é competitiva. Uma vez vi um filme estrangeiro em que os personagens competiam entre si chegando a se matar para ver quem ganhava. A nossa sociedade não chega a tanto, mas as pessoas que tentam amenizar o correr da luta, dizem delas que estão com algum bloqueio mental. O que só faz pior a compe...

VIVER UM DIA ATRÁS DO OUTRO

 Minha vida hodierna é viver um dia atrás do outro. E é assim que eu faço do meu viver o escrever. O escrever para mim é minha razão de viver também. Tenho tudo o que preciso e ao meu alcance, e algo mais. De minha memória tiro assuntos que me valem uma postagem, ou uma página. Vez ou outra no passar do ano eu escrevo alguma coisa a ser publicada em antologia ou coletânea. Ou mesmo poemas para alguma publicação. Trabalhei muito durante a vida, de ser preguiçoso ninguém pode me acusar. E então vamos lá, estou aqui pensando sobre o que vou escrever agora. Vou me aventurar a escrever sobre a escrita. Através dos séculos muito se escreveu durante os séculos. Eu vou mencionar os gregos. Eles nos legaram textos que estudamos em nossas escolas até hoje. Se alguém não tem o privilégio de ir à escola, devia-se estimulá-lo a ler os gregos. Não é difícil ler os gregos. Alguns, claro, precisam de acompanhamento. O acompanhamento acaba por torná-los cidadãos esclarecidos. Mas, eu sei, mesmo com...

CUIDADO COM O QUE DIZ

Hoje é domingo, grande parte das gentes está pulando o carnaval. Eu estou recolhido confortavelmente na minha casa, pensando sobre o que é que posso escrever agora. Assuntos não faltam e em minha mente há um pouco do vazio que me acomete quando não leio. Já disse e é verdade, lendo eu leio uma palavra e é o bastante para me inspirar. Começo pensando numa frase qualquer e dou continuidade. Pensando como quem começa uma conversa. E o escrever para mim é conversar comigo mesmo. Estava no jardim da minha casa e pus a pensar em poesia. E me veio à imaginação a palavra CORPO. O poeta Carlos Drummond de Andrade já escreveu um livro com este título. E corpo pode ser o corpo deste texto que pretendo aqui desenvolver.  Corpo, todos nós temos um. As coisas se compõem de um corpo. E quando se fala em corpo, o outro interlocutor pergunta: - Que corpo? Se for uma bela mulher, nesses tempos nossos, podemos responder: - O seu. Que é belo. Claro, teremos de ter uma certa liberdade com a dama. Caso ...

CONTRA A MENDICÂNCIA

 Depois do expediente eu saía do trabalho e seguia à pé para a Faculdade de Filosofia. No caminho, às vezes eu encontrava um e outro mendigo. Puxava do bolso a carteira e tirava dela um dinheiro pouco. Que estendia ao pobre. Cumpria assim um pequena obra de caridade. Como eu me sentia bem! Mas, não fazia a obra que sanasse aquela situação. Porque mendigos existem aos montes. Sempre existiram. E de onde viriam eles. Tinha o Hobbes, filósofo inglês, que escreveu que o Homem é o Lobo do Homem. Noção filosófica que eu não levava assim tão ao extremo.  Mas, eu tinha um professor que costumava dizer que o ser humano sempre aprende. Ele era Existencialista, da linha do pensador francês Maurice Merleau-Ponty. E que eu aprendi com ele a lição de que eu seria um eterno aprendiz. E como eterno aprendiz estava sempre lendo livros. E nos livros que eu lia, de Filosofia e de Literatura, nos de Literatura, principalmente os romances, havia sempre mendigos. E é lembrando disso que ora escrevo...