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MINHA AVÓ MATERNA

 Meus pais ainda não tinham chegado pela manhã. Eu fiquei quieto no meu quarto. Quando eles chegaram eu pude ouvir eles conversarem. O caso é que eles passaram a noite na casa de minha avó materna. Ela sofria horrivelmente com um câncer. E acabara falecendo. Eu chorei. E há pouco tempo, antes de minha mãe falecer, minha mãe me contou que meu pai chorara feito criança no momento da morte dela. Eu me lembrei do meu próprio choro. E acabei indo à missa na Catedral-Basílica de Nossa Senhora do Pilar, que ficava bem em frente à nossa casa. Depois da missa minha mãe conversou um pouco comigo. E nessa conversa ela me pediu que eu me comportasse bem. Pois que eles, meu pai e ela, iam ao enterro do corpo de minha avó. E lá se foram eles. Hoje aqui eu me lembrando, me lembro também de que minha avó prometera a minha mãe um terno bordado a ouro para mim. Todos me conheciam na família era por esse nome mesmo. Pois minha avó me chamava: - Meu menino de ouro. Com tudo isso é que eu que estou me ...

TRABALHANDO

 A gente vem envelhecendo a cada dia. Quando eu falo isso, minha empregada diz que acontece com todo mundo. E é verdade. Não só envelhecemos a cada dia, como vamos ficando mais experientes. Experientes das coisas que vivemos. E eu não vivo tanto assim, porque nem saio de casa. Me detenho com meus livros que vou lendo devagar. E vou confessar: li muito durante minha vida. Ganhei com isso mais experiência com as letras. E um talento que eu nasci com ele, acho, se desenvolveu. Hoje eu não sou nenhum gênio da escrita, mas me viro bem. Aqui estou escrevendo. Digo mais uma vez, aqui estou escrevendo com todo o prazer. Aquele quesito de invenção, de criatividade eu não tenho tanto, eu me ocupo muito de mim mesmo. Meu pai é que dizia: - Estudem. Assim poderão encontrar boa colocação na vida. E foi verdade. Eu só tive bons empregos. Mas não vamos recordar, eu estou aqui hoje, e escrever para mim é trabalhar. Trabalho para ninguém, mas tenho esperança de ser descoberto e lido. Mas o melhor d...

PENSIONISTA, TENHO SAÚDE FRÁGIL

 Meu pai foi um funcionário público modelo. E por isso sofreu algumas implicâncias pequenas. Mas tudo isso passou. Ele faleceu, eu já disse isso. E minha mãe acabou de nos criar e de nos encaminhar na vida. E foi para acompanhá-la que vim para cá, e hoje moro e vivo em Moeda. Vou me repetir mais uma vez: devido à minha insistência em ler e escrever eu hoje pertenço a três Academias de Letras. E como tenho este computador, escrevo também para alguns sites da internet. Me tornei pensionista, de modo que posso me manter vivo aqui. Minha mãe faleceu, e eu hoje sou órfão de pai e de mãe.  E estou aqui escrevendo, porque gosto de escrever. Escrever para mim é a satisfação máxima da minha vida. E já fui elogiado, além de ganhar alguns pequenos prêmios que muito me estimulam a continuar. Participo também de algumas publicações, onde assino poemas, contos e crônicas. Espero continuar escrevendo assim. Para vocês verem, estou no meu quarto-estúdio. Onde tenho minha biblioteca, pequena m...

UM POUCO DE MIM

 Um homem daqui de Moeda me disse uma vez: - Vocês que lêem muito acabam vivendo mais. Isto faz muito tempo. E ele que vivia correndo em cima de uma moto, veículo de duas rodas, se acidentou e acabou morrendo. Lembrei-me dele hoje. Mas para dizer a ele que eu estou vivo. E com boa memória. E esta memória que me acompanha não me deixa ser infeliz, e nem atormentado. Vivi anos a fio na capital mineira. Lá tudo é velocidade. E aqui eu vivo calmamente. Continuo lendo e escrevendo. Falta de escola literária não me mata também não. Até me deixa contente, porque eu posso fazer da escrita um hobby. Eu tenho um imenso prazer em escrever. Meu pai fez muita coisa em vida. Construiu uma casa, comprou um automóvel, e antes de morrer escreveu poesias. O que é mais importante é que nos educou. E pregava sempre a nós, os filhos, estudem porque vai chegar a hora de vocês trabalharem e estudando vocês poderão achar profissões boas. Ele morreu. Mas o que ele falava se cumpriu. E eu só me ressinto um ...

PENSÃO para pagar

 Hoje de manhã eu estava completamente sem assunto. Fui fazer outras coisas. Acabei escrevendo um texto para a ACADEMIA DE CONTOS a que ousei chamar de conto. E vim trazendo comigo a manhã até que almocei  e li um pouco. Quaisquer letras me estimulam. Não digo me inspiram, mas me peguei pensando em qualquer coisa. É que revi um pouco de mim. E me vi na época em que comprei este computador pessoal, e depois me vi quando comprei meu celular. O computador eu me virei para aprender dele alguma coisa. E mesmo assim não aprendi tudo ainda. O celular quem me ensina alguma coisa até hoje é minha empregada. Eu vejo o  quanto ela é inteligente.  E na era em que se fala tanto em inteligência artificial, os seres humanos se esquecem dos seus próximos.Viva D.Zózima, a empregada doméstica que está aqui em casa há 13 anos. Eu me pergunto e pergunto aos leitores possíveis desta postagem: o que seria de nós, os que precisamos de uma secretária como D.Zózima? Pois é, venho aqui quase ...

PESSOAL, INTRANSFERÍVEL

Houve um escritor mineiro, para quem o ato de escrever era angustiante. Resolvi iniciar hoje minha escrita por este assunto só para dizer que para mim escrever é prazeroso. Quero dizer: eu tenho prazer em escrever. Não tenho como saber se alguém tem o mesmo agrado pelos textos que aqui entrego. Hoje estive pensando em uns primos meus, por parte de pai. Era uma turma muito animada. Acho até que eles viveram mais que eu, viveram mais no sentido de participarem mais da vida. Espero que me compreendam. Viver para mim vai além do ato de respirar. Aqueles primos iam a festas. Viajavam e procuravam mais os parentes. Lá em casa estiveram mais de uma vez. Eu tive, dentre eles, uma prima que quis ser minha namorada. Eu acho desde aquela época que ela era a mais bonita moça que se interessou por mim. Depois eu me casei, descasei, porque sorte no amor eu nunca tive. Quando eu li AMOR? de Ivan Ângelo, não me espantei. A estória contada no livro é uma síntese da sociedade mineira daquele tempo. Digo...

UM POUCO SOBRE MINHA MÃE

 Estar aqui escrevendo é um prazer. Não sou nenhum comunicólogo da PUC. O que eu fiz na faculdade foi estudar Filosofia, sem me formar. Me desculpem se sou repetitivo. Mas a ginástica verbal faz bem a todo escritor. O que eu gosto mesmo de fazer é escrever sobre Literatura. Na minha vida, tenho cumpridas todas as minhas obrigações, as com a pátria, e as com a minha sobrevivência. Hoje eu tenho uma pensão que me cobre as despesas necessárias. Não preciso ir à rua, para nada, e não jogo, não bebo, não me drogo, estas coisas que dizem que fazem por aí. E tenho a melhor empregada doméstica da minha cidade. Mas vamos à Literatura. A Literatura pode ser granfina. É aquela que procura se sofisticar para parecer a mais inspirada. Mas o que é se sofisticar? Talvez falar inglês. Talvez fazer para aparecer na televisão. Digo isso porque o primeiro prêmio que ganhei fez a minha mãe acreditar em mim. Depois do prêmio ela me disse: - Não escreva nada por enquanto. E, de fato, eu não escrevi. Dev...

BREVE

Como  prometi, aqui estou para contar como viviamos na Rua Ituiutaba. Levavamos uma vida comum com nossas vidas comuns. Como já cansei de dizer, éramos sete. E todo nós, exceto um irmão doente, trabalhávamos. Eu comprei um som a prestação e formei uma pequena discoteca. Eu já possuia uma pequena biblioteca particular minha. Minhas irmãs decidiram por comprar carros. E ela se casaram. Eu de vez em quando, mais de vez em quando do que nunca, visitava as irmãs casadas. Era como nós vivíamos. E éramos, nunca deixamos de ser, gente da classe média. Eu era o mais apegado aos estudos. Tinha em mente que ia estudar Filosofia. Comprava eu muitos livros de Filosofia e de Literatura. De modo que me formação era essa. E a cada dia  eu lia mais. Quando eu consegui meu segundo emprego, entrei de novo para o corpo de alunos da Filosofia, no curso que era oferecido na FAFICH/UFMG, lá ingressei via vestibular. E quase me formei, Em casa me gozaram, porque eu nunca terminava o que começava. Min...

UM POUCO DE ANTES DAQUI

 Éramos uma família de sete irmãos mais minha mãe. Morávamos em Belo Horizonte. Foi lá que minha mãe adquiriu uma casa velha, precisando de reformas. Ela já trabalhava e juntava dinheiro. Nós os filhos também trabalhávamos, mas como ganhávamos menos do que minha mãe contribuímos pouco para as reformas que minha mãe fez na casa. E de fato minha mãe empreendeu as reformas. Ao fim minha tia, irmã dela, que torcía sempre para que nossas coisas dessem certo, se alegrou. E disse: - Rutinha fez uma mansão. Rimos até hoje disso. Porque depois das reformas nossa casa ficou bonita, mas longe de ser uma mansão. Foi só força de expressão de minha tia.  E após as reformas, que não foram fáceis, nossa rua virou uma rua comercial. O comércio na Rua Ituiutaba ficou muito ativo. E as famílias que eram nossas vizinhas, se mudaram. Minhas irmãs observando aquilo, disseram a minha mãe: - Mãe, muda daqui com os meninos. Meninos éramos eu e um irmão. E minhas irmãs nos chamavam de meninos por ser u...

ESTOU AQUI PENSANDO

Como Rousseau eu ando aqui pensando, caminhante errante que sou. Mas pensando em que? Em como vou encaminhar meus escritos. Claro, eu espero chegar a algum lugar com eles. Mas a algum lugar consequente. Não basta escrever, escrever ao léu, e só destiná-los, aos escritos, ao vento do vão sucesso. Eu sei que é difícil encaminhar alguma coisa a algum lugar seguro e que dê certo. Ainda mais uns escritos. O mundo da literatura faz as coisas dependerem de muitas outras coisas. Não me pergunte quais são estas coisas, porque nem eu sei quais são. Mas, como eu dizia a uma jovem, todo inicio é difícil. Ninguém começa do alto. E chegar ao alto é alcançar o topo, o sucesso. E quando vem o sucesso, nós devemos estar preparados. Mas não vou ficar aqui falando em sucesso. Só uma última palavra, depende de que sucesso se quer. Eu vim de uma família, que dizem é descendente de espanhóis, a parte do pai. E a minha mãe, descendia de portugueses. Os que vinham dos espanhóis tinham o sangue um pouco quente...

PELA MINHA EXISTÊNCIA

Hoje estive me lembrando de meu pai. E quando me lembro dele, eu me lembro dos conselhos que ele me dava. Um desses conselhos era o seguinte: quando você for trabalhar, tente arranjar uma escola para estudar à noite, sem que isso atrapalhe o seu trabalho. E este conselho muito me ajudou na vida. Graças a ele eu pude levar uma vida regular. Me empreguei num banco e próximo ao banco havia uma faculdade de Filosofia. Faculdade que frequentei à noite. Nela fui admitido por vestibular e eu tinha uma inclinação para Filosofia muito grande. Até hoje, aqui na minha vida folgada de hoje, eu leio Filosofia. Já minha mãe, me deixou uma pensão que me dá folga nos gastos. Últimamente nem tanto, enfrentei um câncer que estava no inicinho e que graças à habilidade do médico estou livre dele. E assim eu vou vivendo. Participo ativamente da ACADEMIA DE CONTOS, aqui na INTERNET. E gosto muito de escrever lá. Fica aí esta propaganda. Agora, voltando a meu pai, ele era um homem muito ciumento de tudo o qu...

DE LIVROS

Eu conheci várias pessoas na minha vida. Se dependesse destas pessoas eu seria um autor maldito. Mas graças a Deus não me desviei do bom caminho. E vim lendo durante o tempo todo em que vivi. Tenho minha bibliiotequinha. Mas já tive muitos mais livros. Contudo não sou um homem infeliz. E posso fazer um comentário: quando se fala de sexo, os brasileiros se animam muito, quando se fala de leitura nem tanto. E isso pela vida nacional afora. E é uma pena! Por seis meses trabalhei no estado de São Paulo. Em Ribeirão Preto. Desgostoso voltei a Minas e minha mãe me acolheu. E me deixou uma pensão, e eu vou vivendo. E bem. Graças a Deus. Mas falando em livros, eu só escrevo porque leio muito. Não há razão para mim mentir. E escrevo neste blog sem intenções lucrativas. E por isso sou feliz. Como confessei na Revista Literária CAFÉ COM LETRAS, eu sou feliz escrevendo. E vou ocupando os meus espaços de escrita. Uma vez me acerquei de um brasileiro e falei de títulos que eu li. Ele me disse, simpl...

A IDADE

Uma vez, quando revelei a minha idade para minha editora, ela me disse: - Vinho velho costuma ser o melhor. Eu me senti como quem recebia um cumprimento. E o foi. Ao invés de ouvir o parabéns, eu ouvia aquela comparação. E foi bom ouvir aq uilo.  Agora, aqui estou, e me desculpem os leitores, eu repito que estou  perto dos setenta e um anos de idade. E me sinto tão bem disposto que se alguém me perguntasse, eu diria como meu pai o disse uma vez: - Ao setenta e um eu estou tão jovem que nem sei me explicar. Agora, me explicando: Meu pai quando disse que era novo, tinha trinta e oito anos de idade. Hoje eu estou aqui me lembrando de meu pai. Ele era mais novo que minha mãe, um ano. E antes de morrer deixou um escrito de que me apropriei. Era um escrito precursor. Mais ou menos da linha do realismo mágico. Como é que  pode? Ele lia muito e estudava muito. As saudades mais fortes que sinto são as de minha mãe. Minha mãe faleceu a mais ou menos cinco anos atrás. E saudade é o ...

TALVEZ PORQUE MAIS VELHO

Hoje, quero registrar aqui, que estou um pouco mais velho. Setenta, vésperas de setenta e um anos de idade. Meu irmão mais novo viajou para Maceió, ele adora viajar. Uns dias antes ele me disse que está no apartamento dele e não quer sair de lá nem morto. Deus o ajude. Não sei quando volta. Mas deixou o cãozinho dele aqui. E pediu que o olhássemos para ele. A empregada, antes de se ir para o fim de semana, veio me dizer que vai buscar o remédio para o outro cão, segunda-feira. Mesmo porque ela sabe que eu não sei aplicar o remédio. E ela se riu. De modo que eu estou só. E feliz, principalmente porque como sempre estou escrevendo. E, como ela disse, minha vida é excelente. Mal sabe ela o quando foi difícil chegar até aqui. Houve trabalho a que eu tive que corresponder. E, como meu rendimento foi bom, aqui estou. E mereço ter tudo o que eu preciso e algo mais. Nem sempre, mas hoje estou sentindo saudade da minha mãe. E segundo a mesma empregada: saudade é o amor que fica. E no lugar dela...

LIVROS NA ESTANTE

Uma estante cheia de livros e eu passo meus dias pegando um e outro. E à medida que os escolho, os leio ou os releio. E vou  dizer uma estante cheia de livros é para o nosso deleite um precioso achado. Mais que achado, porque passamos tempos a amontoá-los nas prateleiras para isso mesmo, ler e reler. Vale mais a pena ter tantos livros do que mulheres. Toquei num ponto delicado, o amor. Mas se feri, feri o amor à carne. Porque não feri meu amor aos livros, meu amor às letras permanece intacto. Os contos que leio, vindos lá das estranjas, a me emocionar, me emocionam mais que todas as juras de amor. Eu, presto depoimento, já fiz um filho. Está lá criado. E portanto posso me deleitar com os escritos impressos. Uma pequena confissão, eu também escrevo, como podem ver aqui. E vou mais além, escrevo e mando para as editoras, que me publicam. Aqui eu penso no meu trabalho de escritor. Tenho que caprichar, porque o resultado vai ao público. Não sei qual é o meu  público, mas deve ser ...

BIBLIO

Levei anos dando duro até chegar aqui. Hoje vivo razoavelmente descansado com tempo para escrever. Estou neste início de postagem pensando em que vou escrever para começar o dia. E, achei o assunto, há muitos anos eu cheguei numa biblioteca para trabalhar. Não fiz corpo mole desde o início, porque vinha de estar acostumado ao trabalho. E nunca ganhei muito. Ao contrário do que os meus colegas da empresa imaginavam. E em casa eu tinha lá os meus livros. Comprava sempre que recebia meu salário uma quantidade numerada de livros. Meu prazer de ler, nas horas em que eu podia gastá-las lendo, era imenso. Esse prazer de ler me ajudou muito a trabalhar naquela biblioteca. No princípio não tive dificuldade. Memorizei uma frase que me foi dita. Que ali, de tempos em tempos, o quadro de pessoal se renovava. É que saíam uns estagiários de biblioteconomia para em seu lugar vir nova turma de estagiários. E eles, os estagiários, vinham já preparados para trabalhar. Fiquei lá algum tempo. E para mim f...

NADA A RECLAMAR

Já escrevi muito desde que aqui estou. E publiquei bastante. E vou lendo. E escrevendo. E nada a reclamar desta minha vida. Em que o que eu faço é ler, reler e escrever. A empregada foi quem disse o que exatamente é a minha vida. Ela disse: - Sua vida é excelente. E, realmente, minha vida é excelente, sem tirar nem por. O domingo de hoje vai chegando ao fim. E venho aqui festejar este fim de expediente. Em que todos tiram o tempo para se divertir. E eu passo o dia a escrever. Estava conversando com alguém e eu disse: - Desde adolescente eu detesto o carnaval. Se forem examinar a minha coerência entre o dizer e fazer de hoje e o de sempre, eu detesto o carnaval. Mas, abro um parêntese, para me remeter ao meu passado. Era no trabalho, havia lá uma colega que só conversava um assunto. Ela falava e ao final dizia: - Eu sou coerente. Deixei ela com o que ela julgava ser a coerência falar de um único assunto, e aqui estou e continuo o mesmo. Falo às vezes de assuntos variados. O que eu disse...

DÚVIDAS

Os seres humanos de minha formação não são os que eu esperava deixar lá onde os encontrei. Não quero dizer com isto que os vi serem abatidos por sentimentos negativos. Não vi. Estavam até muito animados. Entravam, os que conheci, no serviço para trabalhar. O que eu quero mencionar porém vai um pouco além disso. É que entravam no serviço para trabalhar, mas de maneira altamente competitiva. O que os fazia algo agressivos uns aos outros. Não sei se a palavra agressivos é a que cabe, mas vá lá. Eu no que penso aqui com os meus botões, não fui nem criado nem acostumado a competir com meus irmãos. E fiquei muito triste quando uma pessoa por quem eu tecia consideração, disse que hoje a nossa sociedade é competitiva. Uma vez vi um filme estrangeiro em que os personagens competiam entre si chegando a se matar para ver quem ganhava. A nossa sociedade não chega a tanto, mas as pessoas que tentam amenizar o correr da luta, dizem delas que estão com algum bloqueio mental. O que só faz pior a compe...

VIVER UM DIA ATRÁS DO OUTRO

 Minha vida hodierna é viver um dia atrás do outro. E é assim que eu faço do meu viver o escrever. O escrever para mim é minha razão de viver também. Tenho tudo o que preciso e ao meu alcance, e algo mais. De minha memória tiro assuntos que me valem uma postagem, ou uma página. Vez ou outra no passar do ano eu escrevo alguma coisa a ser publicada em antologia ou coletânea. Ou mesmo poemas para alguma publicação. Trabalhei muito durante a vida, de ser preguiçoso ninguém pode me acusar. E então vamos lá, estou aqui pensando sobre o que vou escrever agora. Vou me aventurar a escrever sobre a escrita. Através dos séculos muito se escreveu durante os séculos. Eu vou mencionar os gregos. Eles nos legaram textos que estudamos em nossas escolas até hoje. Se alguém não tem o privilégio de ir à escola, devia-se estimulá-lo a ler os gregos. Não é difícil ler os gregos. Alguns, claro, precisam de acompanhamento. O acompanhamento acaba por torná-los cidadãos esclarecidos. Mas, eu sei, mesmo com...

CUIDADO COM O QUE DIZ

Hoje é domingo, grande parte das gentes está pulando o carnaval. Eu estou recolhido confortavelmente na minha casa, pensando sobre o que é que posso escrever agora. Assuntos não faltam e em minha mente há um pouco do vazio que me acomete quando não leio. Já disse e é verdade, lendo eu leio uma palavra e é o bastante para me inspirar. Começo pensando numa frase qualquer e dou continuidade. Pensando como quem começa uma conversa. E o escrever para mim é conversar comigo mesmo. Estava no jardim da minha casa e pus a pensar em poesia. E me veio à imaginação a palavra CORPO. O poeta Carlos Drummond de Andrade já escreveu um livro com este título. E corpo pode ser o corpo deste texto que pretendo aqui desenvolver.  Corpo, todos nós temos um. As coisas se compõem de um corpo. E quando se fala em corpo, o outro interlocutor pergunta: - Que corpo? Se for uma bela mulher, nesses tempos nossos, podemos responder: - O seu. Que é belo. Claro, teremos de ter uma certa liberdade com a dama. Caso ...