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Mostrando postagens de fevereiro, 2024

BIBLIO

Levei anos dando duro até chegar aqui. Hoje vivo razoavelmente descansado com tempo para escrever. Estou neste início de postagem pensando em que vou escrever para começar o dia. E, achei o assunto, há muitos anos eu cheguei numa biblioteca para trabalhar. Não fiz corpo mole desde o início, porque vinha de estar acostumado ao trabalho. E nunca ganhei muito. Ao contrário do que os meus colegas da empresa imaginavam. E em casa eu tinha lá os meus livros. Comprava sempre que recebia meu salário uma quantidade numerada de livros. Meu prazer de ler, nas horas em que eu podia gastá-las lendo, era imenso. Esse prazer de ler me ajudou muito a trabalhar naquela biblioteca. No princípio não tive dificuldade. Memorizei uma frase que me foi dita. Que ali, de tempos em tempos, o quadro de pessoal se renovava. É que saíam uns estagiários de biblioteconomia para em seu lugar vir nova turma de estagiários. E eles, os estagiários, vinham já preparados para trabalhar. Fiquei lá algum tempo. E para mim f...

NADA A RECLAMAR

Já escrevi muito desde que aqui estou. E publiquei bastante. E vou lendo. E escrevendo. E nada a reclamar desta minha vida. Em que o que eu faço é ler, reler e escrever. A empregada foi quem disse o que exatamente é a minha vida. Ela disse: - Sua vida é excelente. E, realmente, minha vida é excelente, sem tirar nem por. O domingo de hoje vai chegando ao fim. E venho aqui festejar este fim de expediente. Em que todos tiram o tempo para se divertir. E eu passo o dia a escrever. Estava conversando com alguém e eu disse: - Desde adolescente eu detesto o carnaval. Se forem examinar a minha coerência entre o dizer e fazer de hoje e o de sempre, eu detesto o carnaval. Mas, abro um parêntese, para me remeter ao meu passado. Era no trabalho, havia lá uma colega que só conversava um assunto. Ela falava e ao final dizia: - Eu sou coerente. Deixei ela com o que ela julgava ser a coerência falar de um único assunto, e aqui estou e continuo o mesmo. Falo às vezes de assuntos variados. O que eu disse...

DÚVIDAS

Os seres humanos de minha formação não são os que eu esperava deixar lá onde os encontrei. Não quero dizer com isto que os vi serem abatidos por sentimentos negativos. Não vi. Estavam até muito animados. Entravam, os que conheci, no serviço para trabalhar. O que eu quero mencionar porém vai um pouco além disso. É que entravam no serviço para trabalhar, mas de maneira altamente competitiva. O que os fazia algo agressivos uns aos outros. Não sei se a palavra agressivos é a que cabe, mas vá lá. Eu no que penso aqui com os meus botões, não fui nem criado nem acostumado a competir com meus irmãos. E fiquei muito triste quando uma pessoa por quem eu tecia consideração, disse que hoje a nossa sociedade é competitiva. Uma vez vi um filme estrangeiro em que os personagens competiam entre si chegando a se matar para ver quem ganhava. A nossa sociedade não chega a tanto, mas as pessoas que tentam amenizar o correr da luta, dizem delas que estão com algum bloqueio mental. O que só faz pior a compe...

VIVER UM DIA ATRÁS DO OUTRO

 Minha vida hodierna é viver um dia atrás do outro. E é assim que eu faço do meu viver o escrever. O escrever para mim é minha razão de viver também. Tenho tudo o que preciso e ao meu alcance, e algo mais. De minha memória tiro assuntos que me valem uma postagem, ou uma página. Vez ou outra no passar do ano eu escrevo alguma coisa a ser publicada em antologia ou coletânea. Ou mesmo poemas para alguma publicação. Trabalhei muito durante a vida, de ser preguiçoso ninguém pode me acusar. E então vamos lá, estou aqui pensando sobre o que vou escrever agora. Vou me aventurar a escrever sobre a escrita. Através dos séculos muito se escreveu durante os séculos. Eu vou mencionar os gregos. Eles nos legaram textos que estudamos em nossas escolas até hoje. Se alguém não tem o privilégio de ir à escola, devia-se estimulá-lo a ler os gregos. Não é difícil ler os gregos. Alguns, claro, precisam de acompanhamento. O acompanhamento acaba por torná-los cidadãos esclarecidos. Mas, eu sei, mesmo com...

CUIDADO COM O QUE DIZ

Hoje é domingo, grande parte das gentes está pulando o carnaval. Eu estou recolhido confortavelmente na minha casa, pensando sobre o que é que posso escrever agora. Assuntos não faltam e em minha mente há um pouco do vazio que me acomete quando não leio. Já disse e é verdade, lendo eu leio uma palavra e é o bastante para me inspirar. Começo pensando numa frase qualquer e dou continuidade. Pensando como quem começa uma conversa. E o escrever para mim é conversar comigo mesmo. Estava no jardim da minha casa e pus a pensar em poesia. E me veio à imaginação a palavra CORPO. O poeta Carlos Drummond de Andrade já escreveu um livro com este título. E corpo pode ser o corpo deste texto que pretendo aqui desenvolver.  Corpo, todos nós temos um. As coisas se compõem de um corpo. E quando se fala em corpo, o outro interlocutor pergunta: - Que corpo? Se for uma bela mulher, nesses tempos nossos, podemos responder: - O seu. Que é belo. Claro, teremos de ter uma certa liberdade com a dama. Caso ...

CONTRA A MENDICÂNCIA

 Depois do expediente eu saía do trabalho e seguia à pé para a Faculdade de Filosofia. No caminho, às vezes eu encontrava um e outro mendigo. Puxava do bolso a carteira e tirava dela um dinheiro pouco. Que estendia ao pobre. Cumpria assim um pequena obra de caridade. Como eu me sentia bem! Mas, não fazia a obra que sanasse aquela situação. Porque mendigos existem aos montes. Sempre existiram. E de onde viriam eles. Tinha o Hobbes, filósofo inglês, que escreveu que o Homem é o Lobo do Homem. Noção filosófica que eu não levava assim tão ao extremo.  Mas, eu tinha um professor que costumava dizer que o ser humano sempre aprende. Ele era Existencialista, da linha do pensador francês Maurice Merleau-Ponty. E que eu aprendi com ele a lição de que eu seria um eterno aprendiz. E como eterno aprendiz estava sempre lendo livros. E nos livros que eu lia, de Filosofia e de Literatura, nos de Literatura, principalmente os romances, havia sempre mendigos. E é lembrando disso que ora escrevo...

O QUE EU MAIS GOSTO DE FAZER

Vou contar uma estória de vaidade e egoísmo. Certo dia, eu com alguns textos meus me apresentei à redação de um jornal literário. Apresentei-me direito, mais não podia, o redator pegou os textos e dirigindo-se a mim disse: - Passe aqui depois, temos os melhores escritores. - Só aí já ia um bocado da vaidade do redator. Ó, ele trabalhava no jornal e o jornal era conceituado. Daí a dias eu voltei a me apresentar àquele redator. Ele olhou-me: - Quem é você? - me perguntou. Eu, que era tímido, respondi: - Fulano de tal. E ele: - Quem? Eu repeti meu nome. Ele olhou-me de alto a baixo e disse: - Eu só conheço escritor famoso. Uns meses depois eu vim a ganhar um prêmio literário. Fui à cerimônia de premiação. Recebi o dinheiro do prêmio e voltei para casa.  E não é que toca o meu telefone. Eu atendo: - Quero falar com o fulano de tal. - Sou eu. - Aqui a gente paga. Era o redator do tal jornal literário. Eu não disse nada. - Quer vir trabalhar conosco? Eu disse simplesmente que não. Me mud...

OS POETAS E OS CANTOS

Quero agora celebra o dia de hoje com um verso de Vinicius de Moraes: "Porque hoje é sábado." E hoje é sábado, bem sábado, de carnaval. Conheci muita gente que não gostava do poeta Vinicius de Moraes. O que se pode fazer? Nada. O que é mesmo que podemos responder para os filósofos que pretendem mudar o mundo. O que eu sei, parco estudante de filosofia, é que muito se escreveu mudando o mundo, e o mundo aí está. Cheio de seus maus-estares. O que acontece é que "hoje é sábado." E tem muita gente pulando o carnaval. Assim como tem muita gente fazendo retiro religioso. Os pobres eus do mundo, gente como eu, escolhe o que quer fazer. Eu fiz a minha opção: assisti e rezei missa pela manhã, e passei o dia conversando amenidades com a empregada. E para finalizar esta pequena postagem, nas minhas considerações, Vinicius de Moraes cantava o sábado. Nada mais, mas havia muitos leitores que consumiam os livros dele. E lá estava ele, cantando sambas bonitos ao lado de TOM JOBIM.

CURTA CONFISSÃO

Vou aqui entremeando depoimentos do dia a dia com textos que eu componho. Sem compromisso com o brilhantismo. O que coincide com o meu estilo de vida. Eu nunca quis ser rico. E nunca batalhei para ficar rico. Amei e desamei e segui em frente. Tive um período na vida em que só paguei dívidas. Elas pagas, segui em frente. Trabalhando, como sempre, desde que me iniciei, para sobreviver. E o meu maior triunfo é estar vivo, são e lúcido o bastante para escrever aqui sem me esconder de ninguém. Nem da lei, nem de Deus. Minhas memórias são sãs e eu não tenho compromisso com ninguém de escrevê-las. Detesto a escrita literal. Quando estudei Filosofia aprendi tanto sobre a abstração que inventei uma maneira toda minha de falar das coisas e de mim. As coisas do mundo não me atraem de maneira alguma. As coisas à que me refiro são as coisas dos livros e as da minha imaginação.  E assim vou vivendo de escrever, sem ganhar remuneração alguma. A remuneração que me vem é do passado, em forma de apo...

UM POEMA

Eu leio uma palavra e penso nela. A palavra só, me diz o que eu leio nela. Não digo a palavra só. Me explicando eu digo a palavra isolada só diz algo aos poetas. Serei eu um poeta? Não sei. Penso que  escrevo um poema em busca do belo. Sou Abrãao diante do anjo, e o leitor, meu Isaac,  e eu ante a poesia. E enquanto escrevo tenho em mente a palavra que isolei de todo contexto. MOEDA, 10/02/2024. 

O QUE ESCREVE

Do meu nascimento até aqui foram setenta anos. Exato, tenho setenta anos de idade bem vividos. Trabalhei, estudei, amei, desamei e agora escrevo. Sou chamado de poeta, contista e cronista. E gosto de ser admitido em ACADEMIAS DE LETRAS que me convidam e eu examino o convite. Sou também um leitor voraz, para que se tenha um ideia, eu leio pouco mais de dois livros por mês. Quando escrevo eu penso no que estou escrevendo. Depois eu releio e vejo quais são as principais influências sobre os meus textos. Na hora em que vou escrever, eu vejo o papel em branco e é aí que meu pensamento viaja em torno de ideias. Vou tendo as ideias, elaboro mentalmente o que será, e aí surge o texto, que demora um pouco até ficar pronto. Chamo isto aqui que estou escrevendo de uma satisfação que dou ao público, sem pensar em ser original. E digo que para a elaboração desta satisfação me deixo influenciar por lembranças de entrevistas de escritores que li. Eles, os escritores, diziam em suma, que liam muito. E...

DA HONESTIDADE

Quando somos honesto na vida só temos a ganhar. Ganho que não é lucro, porque o lucro é calculado.  E o ganho vem quando menos esperamos. Por exemplo, estou aqui escrevendo. Não digo que às vezes não corrijo o que escrevo. Corrijo sim, seguindo um velho conselho de que devemos até fazer um rascunho da nossa escrita. Mas, no final devemos apresentar uma escrita honesta, que coincida com o que somos nesta vida. Isso não quer dizer que o sucesso da escrita depende disto. Porque o sucesso da escrita depende na verdade é do agrado que consigamos da alma do leitor. A honestidade sentimental é outro tipo de honestidade importante. Pode acontecer de sermos enganados sentimentalmente. Se conseguimos dar o fora logo e irmos viver nossa vida conosco em paz conosco mesmo, isso será sucesso. A honestidade intelectual é outra coisa séria. Na medida em que somos honesto intelectualmente podemos seguir nossa vida intelectual em paz também. E isso não quer dizer que não possamos ser influenciados p...

LEIA PARA PASSAR O TEMPO

Vencido o tempo, chego nesta idade e aqui estou a escrever. O conforto deste cômodo, ora me levanto e vou até as estantes e pego um livro. Devagar eu o folheio depois de ter procurado em seu índice o texto apropriado para o que quero. Nem sempre eu acho o texto de primeira mão, às vezes me demoro porque existem outros textos tão belos quanto o primeiro. Outras vezes, depois de procurar no volume alguma coisa realmente bela para ler, não achando eu o guardo nas estantes de volta. E pego outro livro. Livros à mão cheia eu teria se pegasse mais de um de cada vez. O que seria improdutivo. Então me demoro a ler. E nem sempre me inspiro na primeira leitura. Eu sou assim, gosto de me inspirar nalguma leitura para depois escrever algo. Nunca copio o texto que me inspirou, de maneira alguma. Mas faço isso muitas poucas vezes, a memorizar o belo. Eu também sou assim, primeiro escrevo uma palavra, depois continuo como se meu espírito se iluminasse repentinamente. Nunca sei qual coisa que escrevo ...

O ESTÚDIO

O SOFRER NA ANSIEDADE

 Quando temos nossas expectativas bem à flor da pele acontece de sofrermos para que saibamos logo o resultado delas. A isso eu chamo de ter minhas ansiedades. E minha ansiedade presente é por um exame que terei de fazer. Claro, o fato de saber ou não se sou portador de doença me faz ansioso. E por isso sofro. O sofrer penetra minha alma e me impede de sorrir. No momento não me impede de falar para mim mesmo que afinal pelo que sinto considero que o resultado do exame vai me indicar um sentir-me mais feliz. Só quero deixar isso registrado por agora. Pode ser que depois, sem promessa minha, eu me alongue em considerações. Me desculpe o leitor por eu estar aqui comigo de novo.

FORMAÇÃO E SOLIDÃO NA DOENÇA

Deus nos concede a vida através de nossos pais. Engatinhamos, na ânsia de começar a andar. Gaguejamos, e logo, logo lá estamos a falar. Vamos à escola onde aprendemos a escrever. Dependendo de nossos pais aprendemos algum instrumento musical, onde tocamos uma melodia. E assim eu concebo algumas das coisas que mais me apeteceram até hoje. Dava eu longas caminhadas por percursos que eu ia descobrindo. Conversei bastante, até aprender a falar pouco. Claro, nem tudo se pode dizer, nem a todos podemos nos dirigir, tudo conforme a conveniência, de modo a evitar confusões. Eu comecei a aprender a tocar piano, mas fui tolhido neste aprendizado porque o horário das aulas de piano coincidia com o horário de eu ir ao clube praticar um pouco de natação. E então já posso dizer, que se me foi dada a vida, com a benção de Deus, eu comecei a viver e vivo até hoje e chego daqui a um mês aos meus setenta anos. Fui muito censurado na minha vida porque as meninas da minha época me gostavam. E eu namorei a...

ESCREVER É ARTE?

O que é o escrever para mim? É procurar o dar ordem nas palavras de maneira artística. E tenho escrito. Sempre com o objetivo em mente de sempre ir além. Ir além do que já consegui até agora. E acho que ainda não consegui dar o tom de beleza que almejo às palavras que escrevo. Dia após dia, tentando. O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu que duro ofício este o de escrever. Eu, ao contrário, sem disputar com ninguém, muito menos com ele, um lugar no reino da arte de escrever, digo que hoje para mim é um prazer imenso o que tenho ao escrever. Escrever, a minha vida inteira enquanto experimentava profissões medianas eu fazia exercícios de escrever. Exercícios ocultos, que eu não exibia. Mas veio ficando tarde, e eu não posso esperar mais aquela grande chance de mostrar meus escritos. Mesmo porque conversando com um colega da escrita, ele me ajudou esclarecendo-me. Eu lhe perguntei: - Já és um profissional da escrita, como foi? - Comecei na profissão certa. - Qual é sua profissão? - ...

NOTÍCIA

Ele era uma pessoa ótima. Ficava tranquilo em sua casa, me dizia que lia o tempo quase todo. Eu chegava e ele me convidava para ir para o seu escritório. Era ali que ele escrevia seus poemas e seus contos. Poemas e contos com os quais muitas vezes eu me deliciava ao ler. Claro, ele não me mostrava tudo o que escrevia. Porque na maioria das vezes ganhava concursos com eles. Então ele esperava que fossem publicados com a indicação de que tinham sido premiados. E me mostrava. Não sei se ele tinha muitos amigos. No falar ele era muito reservado. Quando me chegou a notícia de sua morte, eu lamentei muito. Fiquei sem saber se ia até a casa dele. Nunca me disse ele, nem outra pessoa qualquer, que ele estava doente. Hoje, aqui, escrevendo isto, me vem à mente que ele talvez não quisesse partilhar com ninguém as vespesras da própria morte. Então, me pego fazendo uma oração católica por ele. E que Deus o tenha. 

O SOFRER PASSA, O FELIZ FICA

Certa dia eu estava à janela de minha casa. Um vento frio roçou meu rosto. Foi um sofrer muito rápido e ligeiro, claro, o frio roçando meu rosto. Pequeno demais. Mas quando passou pela minha mente a palavra sofrer, algo mais me aconteceu. Lembrei-me de que já sofri na vida. Alguns amigos meus me dizem: "Que nada. Você é vivido." Para mim, vivido e sofrido se assemelham. Basta que nos lembremos de quando nossa mãe nos dá à luz. Não choramos? Claro, os incômodos todos da atmosfera de que o útero materno nos protegia abatem sobre nosso corpo ali de bebê. À medida que vamos vivendo, novos ares vivemos. E cada ser humano chama estes novos ares como bem lhe apetece. Eu digo que estes novos ares exigem de nós, sorrisos e lágrimas. Tudo depende do que vamos passando já que estamos na superfície deste nosso planeta. Procuramos trabalho que nos recompensará com a moeda com a qual adquiriremos algum conforto na luta pela sobrevivência. E, certezas de algo, alguma, pequena, teremos. Mas,...

DEVEMOS DAR TEMPO AO TEMPO

Eu havia acabado de escrever um texto. Precisava escrever outro. Mas, por mais criativo que eu fosse, as ideias me faltavam. Foi então que me lembrei de uma expressão de uma ex-colega minha. Ela dizia, sempre que alguma coisa parecia difícil de ser feita: "Dê tempo ao tempo." E ao ouví-la eu descansava um pouco da tarefa que eu havia acabado de executar. E ao descansar, durante o descanso mesmo, me encontrava eu já pronto para outra tarefa. E de tanto fazer isto eu gravei em minha memória a expressão: "Dê tempo ao tempo." E sequer perguntei a ela de onde ela tirara a frase: "Dê tempo ao tempo." Só sei que esta frase me acompanha, e sempre que vejo alguém em dificuldades para partir para outra, eu repito que é para dar tempo ao tempo. E vou hoje aqui, blogueiro, escrevendo minhas postagens. Na esperança de que alguém faça comentários construtivos aos meus pequenos textos. E enquanto o silêncio impera eu repito mentalmente, Aristides dê tempo ao tempo, e não...

A GRANDEZA HUMANA

Sem aquele toque de sonho eu existo pouco. Claro, a primeira mensagem que recebi me dizendo: "Vá, sonhe e realize." eu a sigo ainda. E vivi sonhando em me tornar um homem de letras. Mas não dimencionei este homem de letras. Só depois que publiquei alguma coisa, um quase amigo me disse depois de ter me lido: "Pequeno." Eu perguntei a ele porque pequeno. Ele respondeu: "Você pode vir a ser o número um." Abandonei-o falando ali sozinho. É que ele não dimensionou meu tamanho humano. Para mim, quando se diz de alguém que é grande humanamente não se está perguntando se ele ficou rico fazendo o que ele faz. Mas quando se diz de um escritor que ele é o número um, é porque ele está no topo da lista de vendas de livros. E nem sempre quem vende mais é grande humanamente. Um homem ou uma mulher de quem se diz que é grande humanamente, é  porque as atitudes, o modo de ser, a própria existência desse homem ou dessa mulher é humanamente grande. Quer dizer beneficia a exi...

SER EU E UM POUCO DOS OUTROS (UM APRENDER)

Nesta vida eu escutei tantas vezes a expressão que diz: é preciso ser autêntico. E fiquei pensando nela. Em nossa casa aprendemos com nossos pais e irmãos a ser no mundo. Mas, chega o dia em que temos que ir de encontro à vida no mundo. Aquilo que já aprendemos em casa nos fortalece bastante. E no mundo da vida aprendemos mais coisas. E nossas atitudes no mundo farão do nosso eu, aquele eu que os outros conhecem, a parte de nós que servirá de identidade perante os outros.  E, claro, os outros não nos conhecerão completamente. Porque os outros não são íntimos nossos. Os outros dirão de nós: "Eu gosto dele" ou "Eu não gosto dele." Assim, eu não estou falando daquilo de nós que constitui o que chamamos de sermos autênticos. O eu fortalecido deixará para ser autêntico diante de seus íntimos. Assim estará se protegendo do mundo. E  só se exibirá se for uma pessoa pública. Mas sendo uma pessoa que precisa dar tratos à bola para renovar-se, como eu enquanto sou escritor, n...

NÃO TRAPACEIE COM A VIDA

A vida aí está desde o momento em que viemos à luz. Então começamos a sobreviver com nossas lágrimas e com nossas felicidades. Vamos nos desenvolvendo enquanto pessoas e, claro, encontrando no caminho nossos sonhos e anseios. A realização de tudo o que queremos realizar é que traça nossa estória pessoal. Mas, não devemos trapacear com a vida. Nem com a nossa, nem com a vida de outrem. Eu sobrevivi na minha sociedade como o classe média que sempre fui. Conheci muitas pessoas, ricas e pobres, que me ajudaram sim no meio do caminho. Mas ajudaram da melhor forma possível, me oferecendo trabalho. Que executei ora com o que eu já sabia fazer, ora aprendendo a fazer uma coisa ali, outra acolá. E hoje eu vivo recolhido em minha casa, na casa onde nasci. Nunca foi sonho meu adquirir um imóvel para o meu uso. Um dia eu pensei: se der eu compro um apartamento. Mas tive que prestar serviço em tantas cidades, que logo desisti. O que eu comprei cabe aqui, e os meus sonhos também. Não paro de sonhar....

A CONVIVÊNCIA

Vou falar aqui um pouco dos últimos treze anos de vida de minha mãe. Tenho um motivo para isso, é que foram treze anos de convivência minha com ela. Dos quais eu tenho saudade.  Mesmo antes eu e ela conversávamos muito. Às vezes repetíamos assuntos. É que ela estava envelhecida, mas não completamente desmemorizada. Ela se lembrava muito bem de meu pai. E me contava casos, de antes de eu nascer, que às vezes eram casos que eu desconhecia. Não é que isso me fosse vital. Mas para mim era muito bom ouví-la contar. Às vezes, lá estava ela sentada em frente à televisão. Eu chegava e me sentava ao lado dela. Esperava ela falar alguma coisa, e perguntava eu outra. Desse modo íamos convivendo. Claro, eu não sou novinho. Hoje aqui estou com meus setenta anos. E há quatro anos que ela se foi. Se foi para o céu, eu acredito. Há quatro anos passava na TV uma série de notícias do Rio de Janeiro e ela me contava a viagem turística que ela e meu pai fizeram ao Rio. Eu que fui uma vez ao Rio, para ...

A CARTA

Um dia minha mãe me disse: - Agora o senhor está satisfeito, não? Deveras eu estava. É que me inquietei e a inquietei por uma questão muito simples. Eu precisava de dinheiro para os CORREIOS. E consegui com ela. Até aí foi fácil. Depois esperei dias até que o carteiro entregasse no meu portão a correspondência dirigida a mim. Minha mãe vendo-me ansioso, dizia-me: - Sossega, o carteiro uma hora passa. E um dia o carteiro passou. A empregada veio até mim com o envelope fechado que a mim cabia. Eu o abri e retirei de dentro dele a minha carta. O que era? Era um diploma que me era concedido por uma Academia de Letras. A ansiedade me deixou como se fosse um milagre. E a minha mãe me observando. E, então, ela me disse: - Agora o senhor está satisfeito, não? - Mãe, e como...- eu disse. 

EU LEIO MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis foi é é, para mim, o nosso mestre maior. Para Mario Vargas Llosa ele foi o nosso escritor que mais ousou. Querem mais motivos para lê-lo? Até hoje eu tenho um prazer imenso na leitura dos livros que ele nos deixou. Imortal ele foi em vida, vivo ele foi Presidente da ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL. A Editora Aguilar disponibiliza os volumes todos com a obra dele. Romances, contos, crônicas e etc.  Eu sempre que posso ponho meus olhos sobre as letras que compõem LIVIA. LIVIA é um romance que conta a estória da corte que um homem faz à personagem principal que é a viúva. E, por fim, lá fica LIVIA solitária sem se casar de novo. Hoje, me penitencio aqui, não pude ler nenhuma linha escrita pelo Bruxo do Cosme. Mas, chegando-me aos dias de hoje, digo: amanhã vai ser outro dia.

EU E COISA MINHA

 Todos nós temos nossos pecados. Eu tenho os meus, pequenos. Um grande eu o corrigi, e muito rezei e rezo ainda pedindo a Deus que me perdoe. Mas trago meu nome limpo neste mundo. Neste nosso mundo eu hoje vejo que se fosse para servir de exemplo, de nada eu valeria. Porque os jovens cometem a toda hora aquele mesmo pecado que eu cometi. E vou seguindo com minha cabeça erguida.  Tive momentos em que pensei ter sido abandonado e desprezado. Mas não era assim. Nem socialmente, nem na minha família. É que casei depois de ter engravidado minha mulher. Mas eu disse: - Ninguém faz um filho sozinho. Uma mulher muito piedosa foi buscar um exemplo longínquo, citou Santo Agostinho. E me disse: - Não sei como está seu caso na sua casa, mas poupe sua mãe na hora em que escrever. Santo Agostinho teve como mãe, nada mais, nada menos que Santa Mônica. Minha mãe, agora sou eu quem fala, quando cheguei em casa, divorciado, me comparou ao filho pródigo. E me disse: - Filho, reze. - e não falou ...

Ia o homem pelo seu caminho, andando devagar. Nada fazia com que ele apressasse o passo. Nem mesmo o mensageiro que dele se acercou. E lhe disse que alguém dele morria. Ele olhou para o mensageiro e com um gesto, despachou-o. E continuou seu caminho, no mesmo passo lento. E ele deu a conhecer o seu pensamento: o que adianta eu ir ao encontro de quem está morrendo; eu vou chegar lá e achar um defunto. Eu que ouvi o que ele pensava, pensei comigo: é, ele tem razão.  E o homem não chegava a lugar nenhum. E nem queria chegar. Eu conclui que o que ele gostava de fazer era caminhar. Mas o homem sentou numa pedra. Talvez para descansar. Fiquei olhando. Com medo de que ele me percebesse. Claro que eu estava ali, por perto. E de repente: - Ei, pode sair de onde você está. E era comigo mesmo que ele falava. Eu sai de onde estava e me aproximei dele. Eu não disse uma palavra sequer. E nem ele. Então ele sem exitar me perguntou: - Por que me segue? - Não é que eu o siga. É que seguimos pela me...

ROTINA FELIZ

Estive lendo e no que lia vi uma frase que era a seguinte 'Existe a rotina feliz.'. Eu vivo aqui e no fim do dia me digo com muita frequência que sou um homem feliz. E não é só me dizer isto e nem é só por dizer. Eu faço meu exame de consciência antes de me dizer que sou um homem feliz. E não me acho uma pessoa diferente por isso. A não ser que os outros me achem diferente. Aí eu digo uma frase de um homem muito  criativo e meu conterrâneo: "Falem de mim.". Porque falar dos outros é uma constante da vida nesta vida. Mas tem um fato que me protege também deste falar dos outros, é que não ouço o que falam. Claro, moro só. Tenho uma empregada que é um modelo de empregada. E sou visitado uma vez por semana por uma irmã. Querem vida melhor para quem vem e escreve. O que sai da minha mente quando eu escrevo, eu acho que tem mais genuidade. E nesse ser feliz diariamente eu recomeço a cada dia. O que eu recomeço? Eu recomeço a cada dia a ser feliz. Nos tempos que vão seguindo...

A MODÉSTIA NA VITÓRIA

Um autor se saiu tão bem num concurso literário que sorriu quando anunciaram o resultado. Perguntaram-lhe o que ele tinha escrito e ele respondeu: - Gosto de ser modesto com minhas coisas. - Por que? - Detesto estardalhaço. Um dos que presenciou este diálogo se saiu com esta: - Ele é modesto. O mencionado autor não se importou. Recebeu a premiação, participou das comemorações, era educado, e se foi. Para os mais íntimos disse apenas que ia esperar o entusiasmo em que estava passar. Estes mais íntimos, por conhecê-lo bem, perguntaram-lhe: - Pronto para outra? Queriam dizer: outra disputa. Ao que ele respondeu: - Vou ver. O jornal local tinha seus funcionários por ali, acercando-se dos acontecimentos. E quando saiu a edição mais nova, lá vinha: 'MODESTO NA VITÓRIA' Ele leu e apenas sorriu.  À sua esposa, porém, confessou: - Vou só esperar o meu entusiasmo baixar e me por a trabalhar. Não se vence sem esforço. 

HUMILDADE E VAIDADE

Está o ser humano humilde livre da vaidade? Na minha opinião, não, não está. Ser humilde é uma coisa, ser vaidoso é outra. Eu conheci um homem, um profissional das Letras. Fui amigo dele. E um dia ele me convidou para ir com ele, ele ia receber um prêmio. Depois da cerimônia da entrega do prêmio eu o vi um pouco transformado. A princípio ele não conseguiu falar. Ficou segurando a medalha com que o premiaram e ma mostrou. Depois que as emoções dele se acalmaram, ele me explicou: - As emoções do que senti esconderam minha vaidade. Eu o conheci um pouco mais. E ali estava ele, me contando aquilo sobre a vaidade sua, e continuando humilde. Então eu pude ver que um ser humano vaidoso pode ser ao mesmo tempo humilde. Uma coisa não atrapalha a outra e, afinal, ele vivia era aqui na Terra, como um semelhante meu. E nosso mestre maior já tinha citado certa vez: "a vaidade das vaidades". Nós, seres humanos criados por Deus, não devemos misturar nunca até o que sentimos. Inclusive em re...

A HUMILDADE

 Estávamos reunidos em torno à mesa da copa de nossa casa. Eu e  os meus irmãos. Conversávamos até que o assunto caiu sobre alguém que tinha acabado de conseguir uma vitória. Alguém sugeriu que esse alguém estava com a bola toda. E, um de nós, que sabia mais desse alguém disse: - Não, ele não está com a bola toda. Porque ele é muito humilde. A conversa então mudou de rumo. De estar com a bola toda para humildade. Eu perguntei: - Então, me digam, o que é humildade? Mais que depressa uma irmã minha disse: - Humildade é um estado de espírito. E não é que é verdade. Alguém se porta como um humilde é porque ele se sente humilde. Não digo humilde no que tange a posses. Mas, humilde como aquele que estando com a razão se cala. E ele se cala para poder dizer na hora certa, ou não. Porque o verdadeiro humilde não tem necessidade de dizer na hora certa, ele sabe que aqueles que o fizeram calar, uma hora chegarão à mesma conclusão que ele. Ora, estamos no século XXI, e nós os homens do n...

O GOSTAR INOCENTE

 Quando eu era menino, aquela idade infantil em que os adultos pensam que não percebemos as coisas, eu tive uma professora de desenho fabulosa. Chamava-se Mariazinha e era a empregada doméstica de minha avó materna. Eu ia sempre à casa desta minha avó porque gostava de aprender. Com os deveres do grupo escolar eu os trazia sempre em ordem e feitos dia a dia. Eu tinha um maravilhoso senso do dever, e gostava de cumprir meu dever com as coisas. Com a Mariazinha não era diferente. Ela me encomendava desenhos de coisas e animais do mundo dela, e eu dava meu jeito de fazer o desenho. Chegava na casa de minha avó e submetia os desenhos do dia a ela, a Mariazinha, para ver se ela aprovava. Ela, em sua bondade, que inclusive me atrapalhava porque eu me perguntava se meus desenhos eram de fato bons, me dizia que eu era bom no desenho. Com o tempo, fui deixando de desenhar, porque na minha ansiedade de sempre aprender fui avançando nos meus estudos, e aqui estou. Mas de Mariazinha eu não me ...

ESCREVER SOBRE O QUE SENTIMOS

Eu li, há muito tempo, um poeta maior que dizia em seus escritos que não devíamos fazer versos sobre sentimentos. Ou alguma coisa assim. Está certo, podemos não querer revelar nossos sentimentos. Mas, como brasileiro digo que há um jeito para tudo nesta vida. Até de cantar em versos o que sentimos. E acho até que cantar em versos nosso sentimento de misericórdia diante das coisas e dos homens nossos semelhantes nos faria seres humanos melhores. Canções de amor existem e existirão sempre, que o amor é tema sempiterno. Mas, elas são para os casais. Um homem como eu, que procura  ouvir a missa sempre, tem no coração a palavra misericórdia. E ter misericórdia é um belo sentimento, eu reconheço, quando este sentimento não é fingido. E pobre daquele que procura abusar de alguém que tem misericórdia. Dirão que não estou sendo criativo. Eu mesmo chego a lembrar que, antes, quando eu treinava minha escrita para um dia exibi-la que a criatividade  para mim era uma coisa fria. E não é. A...

AMOR FRATERNO

Hoje é o início de uma nova semana na minha vida. Segunda feira e estou remetendo livros para a biblioteca de uma Academia de Letras e Artes amiga. Fora isso eu me disponho aqui a enfrentar um desafio neste blog. Vou me colocar à prova, a ver se sou mesmo criativo. Vou procurar escrever o mínimo possível sobre mim.  Não vou esconder o meu processo criativo. Separei diversos livros que pretendo ler. À medida que for lendo tomara que eu me inspire e venha e escreva.  Para hoje eu li alguma coisa sobre a fraternidade. Foi isto que me trouxe aqui a esta hora para escrever. Fraternidade, segundo meu julgamento, é um assunto pertinente e atual. Eu creio, que fora os amigos de sempre, que me tratam fraternamente, no mundo de hoje podia haver muito mais amor fraterno. Me pediriam então uma definição de amor fraterno. Não vou dizer que é fácil descrever um amor fraterno. Fraterno me leva a pensar em irmão. E é exatamente o que pretendo dizer. Por amor fraterno você não acha que os home...